De 18 a 20 de agosto, a ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos) realiza no São Paulo Expo a 52ª edição do CONARH — o maior congresso de RH da América Latina, com mais de 43 mil m² de área, 300 estandes e 120 palestrantes confirmados. A novidade desta edição, sob o tema oficial “O Futuro da Gestão é Humano”, é o Espaço IA: pela primeira vez na história do evento, um ambiente dedicado exclusivamente a demonstrações ao vivo de ferramentas de inteligência artificial aplicadas à gestão de pessoas.
Por que um espaço dedicado a IA agora, e não antes
O CONARH já discutia inteligência artificial em edições anteriores, mas como um entre vários temas de palestra. A mudança para um espaço interativo dedicado — onde empresas testam ferramenta na prática, não só assistem slide — é um sinal de maturidade de mercado: o assunto passou de curiosidade para decisão de compra real. Isso acompanha um movimento mais amplo. A pesquisa State of AI 2026 da Deloitte, feita com 115 executivos brasileiros entre agosto e setembro de 2025, encontrou que 42% das empresas no Brasil já usam IA para mudanças estruturais no negócio — acima da média global de 34%. Em otimismo, o padrão se repete: 87% dos executivos brasileiros acreditam que IA vai impulsionar crescimento de receita, contra 74% globalmente.
O gap que ainda separa intenção de execução
Os mesmos dados da Deloitte mostram onde a conversa esbarra na prática: apenas 23% das empresas conseguiram escalar 40% ou mais de seus pilotos de IA, e só 27% têm modelos de governança maduros para IA agêntica. Ou seja, testar uma ferramenta no Espaço IA do CONARH é o início mais fácil do processo — escalar o que funciona além do piloto é onde a maioria trava. Para RH especificamente, o gap tem uma camada extra: segundo levantamento da Abiacom, Marketing e Atendimento lideram a adoção formal de IA nas empresas (cerca de 24%), enquanto RH segue abaixo do potencial identificado pelas próprias organizações.
O que o CONARH revela sobre prioridade, não só sobre tecnologia
Colocar IA num espaço interativo central — ao lado de temas como People Analytics, diversidade e saúde mental organizacional — é uma escolha editorial da ABRH que reflete onde o setor está prestando atenção. Não é a primeira vez que RH lida com hype tecnológico; a diferença agora é o volume de empresas que já têm caso de uso real rodando, não só intenção. Isso muda a natureza da conversa: em vez de “vale a pena investir em IA para RH”, a pergunta que mais aparece nos bastidores desse tipo de evento é “qual processo começar, e como não virar mais um piloto que nunca escala”.
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